CITAÇÕES


" De todas as poderosas armas de destruição que o homem foi capaz de inventar. a mais terrível - e a mais covarde - é a palavra" Paulo Coelho.


"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Clarice Lispector

"Esta língua é meu berço, esta língua me conhece, esta língua é meu caixão" José Neumanne Pinto

"Poesia, música suave." Crispim






















domingo, 27 de fevereiro de 2011

O sexo das feridas

As feridas são ousadas,
possuem um libido incessante.
Ora, elas gozavam,
no esfregar dos dedos excitantes.

Os dedos, estes coçadores,
fez as feridas revelarem seu sexo.
No gemido de suas unhas comedoras,
agitou-as em um lubrificar completo.

São vermelhas raparigas,
dos dedos que as instiga.

As feridas gozam, se excitam,
em um fado de desejo repleto.

As feridas possuem seu sexo.


Doente de Varicela, conversando com o farmacêutico Kildery Abrantes de Sousa PB.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Somo tão imprevisíveis, improváveis
um microorganismo que não tem tamanho
consegue matar um homem em segundos.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Nas extremidades dos brocados de Ulpiano

Há o som da natureza desgatada
o fungado do sexo ao meu ouvido
a melodia de um violão plissado
o devaneio de um velho alquimista

O saber da consiciência entorpecida
pelo mistério da vontade dos arcanos
os príncípios sociais de uma vida
resguardados nos brocados de Ulpiano

E assim "Honeste vivere"
esbanjando "suum cuique tribuere"

Sob os óculos do âmago de um justo
no desprazer dos ladrões abandonados
vou extrair do roncado do impuro
a justiça abstrata desordenada

Se "Honeste vivere" para sempre
seguindo "suum cuique tribuere"

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Estou ansioso sem nada a esperar

já ganhou a visão o persistente olhar
o gordo já ficou magro em um regime secular

porém o paralítico não voltou a andar

Mesmo assim surge a vontade de caminhar

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Tempos atrás

Tenho saudades de quem conheci na estação
deixar um velho tempo, talvez um coração
que pulsa sem parar, que chora sem cessar
o sangue da estimável união

O trem que segue não volta atrás
não volta jamais, a mesma estação

O trilho que o leva é longo demais
as curvas não trás
o mesmo caminho

Deixei uma vida naquela estação
e continua no meu coração
o tempo que se trancou na desconhecida imensidão

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A árvore

Tinha uma árvore no meu caminho
que era a árvore do meu ninho

no deserto dos espaços
tinha uma seca árvore
na beleza do meu caminho

tinhas galhos intermináveis
com raízes dentro de mim
com o propósito do fim

era a proeza dos meus olhos
das procelas das tardes em desordem
da manhã mirando o solo

quando a tristeza me abatia
nos seus galhos porém eu via
a esperança umedecida

sem sombra eu descanso
sem fruto eu sinto o doce
do que seria esse encanto

nas procelas das tardes
bem ao topo do meu caminho
indo pra faculdade
via a árvore do meu ninho