Raul Seixas confidenciou ao Brasil, na sua última entrevista em 1989, no progama de Jô Soares, que o rock’n’roll morreu nos anos 50, onde ele próprio afirmou que não tocava esse ritmo, ao contrário, tinha seu próprio modo de musicalizar suas composições , uma maneira “ louca” e ousada de cantar, e que deu certo, o “ raulseixismo”. A banda de rock brasileira formada em 1983 e que permanece até os dias atuais, chamada de “ Biquini Cavadão” em um show gravado no formato “ DVD”, disse ironicamente que hoje se fazem músicas “ com a bunda”.
Paralelamente, entre Raul Seixas e Biquini Cavadão, há uma unanimidade bem remota da crise musical que ocorreu ao longo dos anos até hoje, é como se pegasse uma peneira e jogasse o rock que seria uma volumosa massa concistente, que no perpassar do tempo foi sendo peneirada e que hoje só restasse sobras, onde a matriz do ritmo musical não existe mais. O que sobrou desse ritimo deve ser aproveitado ao máximo, com a euforia e inteligência, através da música. Uma abordagem sobre, refere-se ao convívio de uma era que uns viveram e outros não conheceram, mas estamos em sintonia através das
Sobras do Rock and Roll
“ Prendia o choro e aguava o bom do amor”, esse tom suave encerrava uma das mais belas canções de Cazuza, e enquanto existia a sua guitarra tinha-se um rock ora eufórico, ora “amuado”. Em 1989 milhões de fãs cantavam em uma grande concentração a música “ maluco beleza” em um adeus à Raul Seixas, porém, os ecos desse grito invade até hoje nossos ouvidos. Renato Russo dizia que “ precisava morrer” mas não assasinou o rock, apenas completou as sobras para que hoje pudéssemos conhecê-la. Tudo isso foi peineirado, e o que sobra hoje são milhões de arquivos dos grandes cantores e compositores de um dos ritmos mais amado do mundo, as sobras do rock se encontram nas gravações do passado.
Quem sou eu para contrariar a afirmação de Raul Seixas, então, devemos graças ao ritimo de cada um desses mestres, para que hoje pelo menos tivéssemos os restos vivos desse tipo de música, que nem mesmo a ditadura militar brasileira conseguiu censurar para sempre.
Se for para mudar a forma de pensar e de agir, onde sempre é realçada a inteligência através do lirismo musicalizado em tons ferozes maiores que essa realidade - viva o rock, e o que encontramos agora foi de um longo passado, uma forma de atenuar os problemas da vida.
Elvis Presley inaugurou uma nova moda em sua época, estilos copiados pelas sucessões das décadas, onde posso afirmar que era um acaso exteriorizado em um ser humano, onde a musica, a dança, fluíam naturalmente sem explicação, como ele mesmo afirmou “ Não sei de uma nota musical, nem preciso”. Essa foi a pureza inicial do rock.
Depois de mais de trinta anos, vemos a ressignificação desse ritmo musical, onde os modernos “rockeiros” e os do passado, adquiriram hábitos que a sociedade hoje despreza. Por pessoas assim, o rock foi sendo alvo de duras críticas, que ficou mais difícil ser um “rockeiro”, muito mais do que isso, superar as adversidades e viver esse universo.
Mesmo na ausência dos grandes feitores do rock, existem hoje sobras, para que nunca morra a vontade e o prazer alucinador de uma inteligência ignorante. Pensar e Cantar, é um ciclo que nunca acaba, se o rock vive em sua mente, você canta, se canta sem ele na mente, é mero deleite do absurdo inconciente.
Diante do exposto, subscrevo-me:
Geraldo Rocha Dantas Neto
RG: 3359829 SSP-PB.
Geraldo Rocha Dantas Neto
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